segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Neuigkeiten aus Paris #3

E segue o baile...


Disney

E chegamos ao meu segundo "Momento Madalena" de Paris. Madalena, pra quem não sabe, é uma cadela Bernese de uma anã falcatrua que eu conheço (brincadeira Bertinha ^^) que baba em tudo, destrói tudo, mija em tudo, corre por tudo e basicamente anarquiza tudo por onde passa. Por algum motivo, essa minha amiga diz que eu sou igual a ela ¬¬. A Poly ainda não tinha ido em nenhum parque da Disney e eu tinha, mas fazia 10 anos. Natural então que, mais uma vez, enchêssemos a mochila de sanduíches e guloseimas e fôssemos passar um dia tendo 8 anos de idade e conhecendo os nossos ídolos de infância.


Reparem na expressão deslumbrada da criança

Algumas informações que não são cruciais para o post, mas ajudam a se situar: a Disneyland de Paris, ou Eurodisney, é composta por dois parques, um grandão e outro menor. O parque principal é aproximadamente do tamanho de um dos da Disney World da Flórida, e mistura um pouco de cada um deles: tem a área das meninas e seus contos de fadas (Fantasyland), a área dos brinquedos tecnológicos e futuristas (Discoveryland) e as áreas de brinquedos com temática de aventura, como piratas, velho oeste, Aladdin, Indiana Jones, etc (Adventureland e Frontierland). O parque menor é quase uma miniatura do MGM Studios, com temática de cinema e versões de brinquedos famosos, como a Rock'n'Rollercoaster e a Tower of Terror.


Aqui também tem um castelo, mas é o da Bela Adormecida





O desconto pra estudantes era só no bilhete de um dia para os dois parques (43 euros em vez dos normais 67), e não íamos ficar dois dias lá mesmo, então tivemos que dar uma corrida pra tentar ver o máximo de coisas possível dentro da curta jornada de trabalho francesa (das 10h às 18h, bando de folgados). A parte boa é que conseguimos ir em todos os brinquedos maiores e mais divertidos, principalmente porque era dia de semana, então o parque estava relativamente vazio e pegamos filas bastante curtas. A parte ruim é que, com toda a correria, não conseguimos tirar fotos de todas as áreas e não deu pra caminhar com muita calma, apreciando os detalhes e as atrações menores. Mesmo assim, foi mais um dia muito bem gasto e um passeio que recomendo muito a todos que precisam soltar um pouco a sua criança interior.







Pra nós, que já a temos bem soltinha, é ainda melhor!


Centro Georges Pompidou

Também conhecido como "A Refinaria De Petróleo No Meio De Paris" ou "O Prédio Que Foi Construído Do Avesso", é uma construção que serve ao mesmo tempo como centro cultural, com espaço para exibições de arte e cinema, e como um lembrete de sempre colocar as tubulações dos prédios por dentro das paredes, porque desse jeito fica feio e destoante (por algum motivo arquitetos, artistas e cults em geral gostam dessa coisa).


Desculpem a foto do Google Imagens, mas estava tão impressionado com a feiúra do prédio que esqueci de tirar uma minha.


Isso eu achei bem legal: no começo da exposição tem uns quadros em alto relevo com a explicação em Braille do lado.

Claro, como toda arte moderna e design (pra mim pelo menos) sempre se acha algumas coisas interessantes no meio de todo o resto que não faz sentido.


Um é pra Bibi, o outro pro Victor. Adivinhem qual é qual



Mas em todo o resto, era tudo tão tosco...


Na primeira foto, a artista costura "Made in Brasil" na sola do pé. No primeiro vídeo da segunda foto, a mulher pelada segura uma galinha de cabeça pra baixo com a cabeça recém cortada até sair todo o sangue e acabarem os espasmos. No último, é só um babaca arrastando uma cadeira e subindo e descendo dela.


Esse é um vídeo de uma bunda. Feia. Tá aí pra lembrar quão idiota a Yoko é.

...que a única saída era não levar mais a sério mesmo.





Museu de História Natural

Voltamos aos museus sérios então. O Muséum d'Histoire Naturelle é dividido em várias partes: Grande Galeria da Evolução, Galeria de Geologia e Mineralogia, Galeria de Anatomia Comparada e Paleontologia, várias estufas e um dos zoológicos mais antigos do mundo, fundado em 1794. Como não tínhamos muito tempo, resolvemos deixar as plantas e pedras de lado e ver só os bichos. Começamos pela galeria da evolução, que trata dos animais atuais, de todos os habitats e tamanhos, desde insetos até baleias. O prédio também é muito bonito.





Depois passamos ao zôo. Por não ser tão grande, não há animais enormes lá, como elefantes, hipopótamos e rinocerontes. Por outro lado, eles têm várias corujas, um leopardo das neves que deve ser um dos bichos mais bonitos que eu já vi, um bode bastante simpático e um serpentário muito legal, que daria um ataque do coração na minha vó instantaneamente.







Por último fomos à galeria de anatomia Comparada e Paleontologia. O andar térreo é tomado por esqueletos de todos os tipos de animais atuais, mas é no primeiro andar que fica a parte mais legal: fósseis! Apesar de os de dinossauros não serem verdadeiros (sim, são todos réplicas e sim, fiquei muito triste quando descobri), tem vários daqueles animais primitivos fodões e até um daquele supercrocodilo de 12 m de comprimento, o Sarcosuchus imperator.






Sarcosuchus imperator e Megaloceros


Glyptodon e Megatherium


Bem, este é o último post com passeios de Paris, mais um virá com algumas considerações finais sobre a França e os franceses e, depois, Oktoberfest!

Beijos e saudades

domingo, 10 de outubro de 2010

Neuigkeiten aus Paris #2

Seguimos com a nossa Odisséia Parisiense então...


Catacumbas

As catacumbas de Paris são antigos túneis de onde eram mineradas rochas para a construção dos prédios da cidade. Como eles se localizavam embaixo da própria cidade, algumas casas começaram a desabar por causa da remoção excessiva de rocha. Por causa disso, a exploração dos túneis cessou.

No fim do século 18, estavam ocorrendo muitas epidemias causadas pelos cemitérios da cidade. As igrejas amontoavam os corpos de todos que não tinham muito dinheiro em valas comuns, e a decomposição destes estava poluindo o leçol freático incontrolavelmente.

A solução para isso foi exumar toda essa galera e criar o Ossuaire Municipal dentro dos túneis vazios. O resultado é impressionante: mais de 800 metros de túneis com ossos metodicamente e em alguns pontos quase artisticamente arranjados. Estima-se que foram levadas para lá as ossadas de mais de 6 milhões de parisienses.


"Arrête, c'est ici l'Empire de la Mort" - Pare, este é o Império da Morte





Apesar de toda a expectativa de um lugar sombrio e carregado de energias antigas de milhões de pessoas e da verdadeiramente impressionante quantidade de ossos que tem lá, posso dizer que a Poly e eu ficamos bastante underwhelmed, por assim dizer, ao andar pelos túneis. Pode ser que esperávamos ser muito afetados pelo lugar, pode ser que a energia de lá tenha sido 'dissolvida' depois de décadas de visitação ou até o simples fato de que o que causou a criação desse ossuário não foi nenhuma guerra, perseguição religiosa ou qualquer coisa violenta, como as catacumbas de Roma. O simples fato é que nenhum de nós sentiu os calafrios na espinha que seriam de se esperar, e essa foi a primeira grande surpresa daquele dia.


Champs-Elysées / Arc de Triomphe

(o Ministério da Saúde adverte: o segmento a seguir pode conter um pouco de ironia)

Depois das catacumbas, seguimos para uma caminhada pela avenida mais famosa do mundo. Saímos do metrô no Jardin des Tuileries, uma das praças para onde os franceses vão lagartear quando deveriam estar trabalhando. De lá já se tem uma idéia do que nos espera.



Ah, claro, esqueci de dizer: do outro lado do Jardin fica um prédio enorme e velho com uma pirâmide de vidro na frente. Dizem que tem lá um retrato de uma gordinha que não se sabe se está séria ou sorrindo e aparentemente é famoso. Vou ver se na próxima ida à Paris eu entro lá.



Anyway, antes de começar a Champs-Elysées temos a Place de la Concorde. É basicamente uma rotatória enorme com um obelisco presenteado à França pelo vicerei do Egito em 1829. Isso é praticamente ontem comparado com a idade do pedregulho: data da época de Ramsés II, cerca de 3300 anos atrás. Parece que antes do obelisco tinha uma guilhotina da época da Revolução nessa praça. Basicamente o que aconteceu então foi que os egípcios tiveram que ajudar os franceses a decorar melhor a cidade. Ponto para o bom-gosto francês.



Ok, finalmente chegamos à tal avenida. Um pouco maior que a Osvaldo Aranha, tem um monte de lojas de fresco e umas bem legais também, como a gigantesca da Virgin e a modernosa da Citroën.



Lá Mercedes Classe S com motorista esperando a dondoca torrar a grana do marido é a coisa mais comum. Todavia, esse clima de consumismo é completamente mudado quando se chega ao fim da avenida (e da ironia também, porque agora a coisa fica séria) e ao monumento mais significativo da cidade: l'Arc de Triomphe.



Encomendado em 1806 após a vitória de Austerlitz por Napoleão, é um monumento em homenagem à todas as glórias militares da França. No próprio arco estão inscrito nomes de generais e batalhas vencidas por eles e, no chão, há a Tumba do Soldado Desconhecido e inúmeras placas lembrando todos aqueles que morreram pelo país ao longo das guerras.





E esta foi a segunda surpresa daquele dia. Já tínhamos visto outros monumentos que achávamos serem mais espetaculares, como a Torre Eiffel, pelo tamanho, e a Sacré-Coeur, pela vista que oferece da cidade. Talvez por não ser tão grande, ou por ficar no fim do templo ao consumismo que é a Champs-Elysées, nenhum de nós esperava muito do Arco. Mas, só de ficar embaixo dele, envolto por todos aqueles nomes e placas e olhando para aquela avenida por onde já marcharam exércitos nacionais, aliados e inimigos, aí sim veio o calafrio que esperávamos das catacumbas.


Château de Versailles

Seguindo a tradição de megalomania dos reinantes franceses, vem a modesta residência construída por Luís XIV e ampliada pelos seus sucessores (sim, historiadores, eu sei que Napoleão e sua tumba vieram depois dos Luíses, mas eu fui lá antes, então não me encham). O Palácio principal em si é tão suntuoso, gigantesco, rico e colossalmente enorme que confesso que, no final, tava passando direto pelas últimas salas. Antes que alguém diga "Que audácia, Eduardinho, não sabes apreciar o lugar onde estás?", me digam quem aguenta ver 700 quartos ocupando uma área de 67.000 m² sem cansar? Querem mais alguns números? 2.153 janelas, 67 escadarias, 6.123 quadros, 2.102 esculturas e 5.210 móveis e objets d'art.

Pelo menos antes de cansar conseguimos ver todas as partes mais importantes, como a capela, o salão dos espelhos, as salas da Guerra e da Paz, os aposentos do Rei e da Rainha. Fun fact: cada um tinha um apartamento separado no palácio, com umas 3 antesalas antes do quarto com a cama gigantesca, e todos os dias aconteciam as cerimônias de Despertar Real e Adormecer Real. Basicamente se juntavam todos os nobres, generais, convidados de honra e quem mais quisesse pra ver o Rei acordando cheio de remela e, ao fim do dia, ir dormir.




Acho que acabou o dinheiro pra pintar o resto do telhado...


Capelinha básica, todos deveriam ter uma em casa




Salão dos espelhos... fod*


Quarto da Maria Antonieta. Por aquela portinha que ela fugiu no dia da Revolução.

Outro fato interessante sobre Versalhes é que algum imbecil da administração do Palácio em algum ponto da história achou que seria uma boa idéia fazer exposições de arte moderna ali. Quando estávamos lá, tinha uma exposição de um escultor japonês, e isso deu muita raiva por dois motivos: 1. Nós fomos lá pra ver o palácio e aprender sobre a história, e aquelas esculturas coloridas desconcentram e estragam a aparência dos quartos; 2. Eu até veria essa exposição em qualquer galeria normal de arte, porque as esculturas eram bonitas até, mas fiquei com raiva até da mãe do artista por causa dessa idéia de jerico de expor as obras em um lugar tão nada a ver.


Quem achou que isso é uma boa idéia levanta a mão!

Depois disso fomos ver os jardins. Curiosamente, a entrada para estes, ao contrário da do Palácio, não é de graça para estudantes. Mas sem problemas, porque lá estão as melhores atrações da visita, na minha opinião. A parte mais próxima ao palácio é muito ampla, com o grande canal ao fundo e jardineiras geométricas.



Bonito, mas, afastando-se mais é que se chega aos jardins de Trianon. Fomos recebidos por um trio de cordas vestido a rigor, que já nos deixou no ânimo certo para o resto da visita. Neste canto do parque Maria Antonieta tinha o Petit Trianon, o Grand Trianon e o Hameau de la Reine, a Aldeia da Rainha. Os primeiros são pequenos palacetes, refúgios para quando ela estivesse de saco cheio da badalação do palácio maior. A aldeia, por sua vez, foi construída para que ela se sentisse numa fazendinha rústica e bucólica do interior francês. É realmente muito bonito, como podem ver a seguir (sugiro ver as fotos ouvindo a música do link anterior):







Fica aí a dica então pra quem for a Paris: esse é um dos passeios verdadeiramente imperdíveis. Incrível como conseguiam gastar tanto dinheiro pra construir algo tão imponente com o povo todo morrendo de fome. A fazendinha pra mim é a melhor parte, dá muita vontade de passar uns dias ali.

Na caminhada de volta ainda pudemos tirar mais umas boas fotos, enquanto o pôr-do-sol fechava mais um dia na capital dos franceses.





Aguardem mais novidades...

Beijos e saudades