Chega de enrolar! Já faz uma semana que saí do Brasil, e vou aproveitar enquanto mais uma gororoba congelada fica (mais ou menos) pronta no fogão pra pelo menos começar a escrever a primeira postagem deste pequeno blog que criei para relatar minhas peripécias pelas terras germânicas (postagens em vídeo talvez venham, talvez não, mestra Ana). Então, como diriam os paulistas, acho que o melhor jeito de organizar os acontecimentos é por ordem cornológica mesmo. Aí vai:
17/08 - Saída do Brasil - Tudo tranquilo até chegar no famigerado Bagulhos. Muitas horas pra matar naquele inferninho e nenhum lugar que vendesse o novo e bem-falado chopp Black da Brahma (e olha que eu procurei, Bibi). Pra completar, bagunça e mais de 2 horas de fila no check-in da Iberia: o avião deles tinha parado pra reparos nas ilhas canárias e, em vez de sair de SP às 15:50, sairia 'só' 6 horas depois. Como isso esculhambaria minha conexão, me mandaram pra Lufthansa. Foi só chegar no balcão deles, com sua organização e crachás com apenas os sobrenomes dos funcionários, que tive um daqueles sentimentos muito vistos nos finais de filmes americanos: "I'm going home." Pra yangnizar ainda mais a situação: estava eu fazendo o meu segundo almoço (tinha comido antes do check-in e a Iberia nos deu vale-almoço num restaurante tri bom do aeroporto. O gordinho aqui não ia desperdiçar, né, minha gente?), quando vejo o único avião da Lufthansa presente no aeroporto manobrando em direção ao portão de embarque: nada mais, nada menos que um BOEINGSETEQUATROSETE. That's right, mothafuckas, eu iria pra Vaterland de JUMBO!
Para os desinformados que não sabem o que isso significa:

17-18/08 - Vôo - Depois de me acomodar naquela magnífica aeronave, conheci meus vizinhos de assento: dois caras de Canoas (eles são legais, apesar de virem da cidade maldita) e a namorada de um deles que jogam futsal profissional em Verona (!). Quanta coincidência, não? Depois de uns jogos de Uno, uma tentativa de ensiná-los Truco, muita comida boa de bordo (comi uns pedaços da dos outros também) e 2 Warsteiners (sim, eles servem cerveja no avião, e na segunda a aeromoça pediu pra ver meu passaporte), chegamos em Frankfurt. Obviamente não iria sair daquele avião sem conhecer o segundo andar, então pedi e me deixaram ir até a cabine. Conversei um pouco com o comandante e perguntei sobre o A380, ao que ele respondeu: "Eu poderia ter passado pro Airbus, mas o 747 é um avião muito melhor. O A380 é pra quem gosta de jogar videogame." Que tal essa, Marco?
18/08 - Chegada na Alemanha - Na saída do avião, encontrei um bixo e ex-colega Lamefiano meu, Lúcio, em direção ao centro de pesquisas vinculado ao Lamef. Seguimos para a imigração, que de tão fácil foi até meio irritante. Eu tinha trazido uma pasta lotada de tudo que é documento, desde papéis do consulado até seguro-saúde, contrato do apartamento e comprovante do limite do cartão de crédito (eu deveria ter entrado por Madri, que é famosa por mandar brazucas de volta, então estava com o c* na mão). Cheguei para o policial com um sorriso na cara, mil explicações na cabeça e minha Folder of Many Documents na mão, ao que ele pegou meu passaporte, olhou, perguntou a que eu vinha e por quanto tempo, carimbou e me mandou em frente. Fácil assim. Daí, fizemos o check-in para a última perna da viagem, comemos um lanche (Frankfurterwurst mit Brötchen - salsicha tipo Frankfurt com pãozinho), passeamos pelo shopping-aeroporto e fomos embora, cada um pro seu rumo. Chegando em Munique, vejo que estou na casa da BMW quando vejo no que consiste uma das paredes do saguão onde se pega as malas:

Na saída, lá estava a Débora (irmã de um amigo meu, que está me ajudando muito aqui) pra me guiar até minha casa. Pegamos o metrô (incrível como não tem nenhuma catraca nem fiscal pra ver teu ticket: as pessoas só o compram porque é a coisa certa a se fazer) e viemos até a moradia estudantil (daqui pra frente Studentenstadt ou só Stusta). Muito bacana o lugar, são vários prédios com um pátio no meio onde a galera se reúne pra fazer churrasco. Tem um bar grande (TribüHne) e vários pequenos dentro dos prédios. Depois de tomar um banho e arrumar umas coisas, me perdi até encontrar a casa da Débora e fomos comer numa praça no centro com a turma de amigos dela.
19/08 - Não tinha internet até então, pois aqui no meu quarto é por cabo, mas cada um tem que trazer o seu. Além disso faltava um adaptador pra tomada daqui, que obviamente tem seu padrão próprio. Além disso, foi um dia para se acostumar com o supermercado e seus preços. As coisas são muito baratas por aqui!! Pra terem uma idéia, aí vão os preços de algumas coisas básicas (preços em euro): 1l de leite desnatado: 50 cents; caixa de 500g de corn flakes: 99 cents; 1l de suco daqueles com gominhos: 89 cents; 1,5l de água mineral: 19 cents, e tudo segue esse padrão. Tinham me dito que duas coisas eram caras aqui: carne e frutas. Pois a carne não é tanto assim, apesar de não ter quase nada de gado: tem os conhecidos embutidos e bastante porco e frango. E as frutas, ao que me dizem, são subsidiadas pelo governo, então sempre se acha várias delas por 2 euros o quilo. Duas soluções muito boas deles para o lixo: as conhecidas sacolas de algodão (que já tem no brasil, mas não vão pegar enquanto não cobrarem pelas de plástico, como é aqui) e o Pfand, um extra que eles cobram pra cada garrafa de vidro ou PET e que é devolvido ao retorná-las para o super. A melhor parte eu deixei pro final: as cervejas daqui custam, em média, 80 centavos pela garrafa de meio litro. Isso inclui as famosas Paulaner e Franziskaner e outras, menos conhecidas e melhores.
20/08 - Sexta-feira é um dia para se fazer tudo de manhã, pois quase nada abre pela tarde (de 2ª a 5ª fecha tudo às 20h e no domingo não abre nada). Fui pagar a taxa da universidade e só, pois estavam quase todos de férias. Pela tarde tive que ir passear então. Escolhi começar pelo BMW Welt, que é aquele prédio muito bonito e moderno que serve como um showroom dos carros e motos e das tecnologias em desenvolvimento. Bacana, mas o mais legal deve ser mesmo o museu, que tem os carros antigos e história da marca - deixei esse pra mais tarde.

Depois dei uma caminhada pelo Olympiapark, construído para as Olimpíadas de verão de 1972. Muito interessante o estádio pela sua estrutura futurista e o parque por causa da sua montanha artificial. Dela se tem uma das melhores vistas da cidade, e é ainda mais interessante quando se sabe (eu fui descobrir depois) que ela foi construída com os destroços dos prédios bombardeados na guerra. Incrível como uma matéria-prima criada por algo tão trágico venha a ser usada para a celebração da paz e competição amigável entre as nações.

21/08 - Passeio no Englischer Garten com a turma brasileira e pedalinho no lago, com direito a um casamento acontecendo no meio deste. Meio sacanagem fazer os convidados remarem e ficarem sob aquele sol quente de terno, mas cada um com sua loucura. O Englischer Garten é um dos maiores parques metropolitanos do mundo, bem maior inclusive que o Central Park. Apesar de ficar do lado da Stusta, tive que pegar o metrô e andar 4 estações pra chegar na parte onde fica o lago. Depois disso, comprar cerveja, pão e lingüiças pra fazer um churrasco no pátio central do Stusta.
22/08 - Passeio pela tarde inteira no Nymphenburg Schloss (Castelo das Ninfas), que era a residência de verão dos reinantes da Bavária. O palácio é gigantesco e os jardins atrás dele, maiores ainda. Tem vários lagos e outros palacetes menores espalhados pelo parque. Milhares e milhares de gansos (todos amistosos, mestra), patos e cisnes. Fiquei 3h lá e, sem entrar em nenhum lugar, mal deu pra ver as partes mais legais.

23/08 - Inscrição na universidade, seguro saúde e levar o PC, que está louqueando, na loja de eletrônicos pra ver se conseguem consertar. Me deram o endereço da assistência técnica.
Alguns outros comentários sobre a vida daqui:
- O interruptor da luz do banheiro é do lado de fora dele. Já tinham me dito que era assim, mas continua muito estranho;
- Não tem quase pombas aqui: o que se vê muito pelos parques e ruas aqui é o corvo. No começo era meio tenebroso aquele pássaro preto com aquele grasno, mas já me acostumei;
- To conseguindo entender as pessoas satisfatoriamente bem, mas ainda falta muita fluência pra eu falar. Sai tudo meio trancado e na ordem errada, isso quando não fujo pro inglês. Vai passar, vai passar;
- O trânsito aqui é muito tranquilo. Os pedestres só precisam se preocupar em respeitar as sinaleiras (40 euros de multa, não importa se é de madrugada e não tem ninguém passando) e os ciclistas. Como tem ciclovias por todas as ruas, eles não querem nem saber e só buzinam pra sair da frente. To louco pra comprar um bicicleta aqui pra mim;
- Ainda não comprei nenhuma câmera, por isso as fotos da internet. To esperando pra ver quanto vai custar om conserto do meu PC. De qualquer maneira já achei uma Sony que parece ser boa por 99 euros, devo comprar logo. Pra não ficar sem nada meu, aí vai uma pequena montagem para os amantes de Friends (cliquem nela pra abrir grande):

Bom, pessoas, espero que a postagem longa tenha servido pra matar quaisquer saudades que tenham surgido. Comentem e me mandem e-mails contando as novidades de vocês também, por favor: se eu receber um parágrafo de cada um já tenho bastante coisa pra me entreter. Pra quem não sabe qual e-mail eu uso, é o seguinte: eduardobn@botti.eng.br
Acho que vou mandar atualizações uma vez por semana. Não se preocupem que a próxima já será menor. A chegada é sempre quando se têm mais pra contar.
Saudades de todos.
Abraços e beijos,
Eduardo Botti Noronha
Boa noronha, aproveita bastante por ai.
ResponderExcluirAh, quando for nas cervejarias vê se "pega" um copo (de preferência de 1L) de lembrança. Sabe como é, só não deixa eles verem por que senão tem que pagar multa =)
Ps.: muitos alemães fazem isso, nem é tão coisa de brasileiro heheh
Beijos e aproveita
Noronha, cuidado com a salsicha! Não vai comer demais, sua louuuuca.
ResponderExcluirQuero mais fotos tuas em posições insinuantes. E o que é essa montagem tosca, pelamordedeus?
Aproveita aí e nos mantêm atualizados!
Beijinhos
meu deus quanto tempo livre tu tem pra fazer montagem e postagens com fotos da intenet.... eu disse que München era um tédio (brincadeira).
ResponderExcluirAdorei a saga de um Zorro pelo norte da Itália.... e a foto ilustrativa do jumbo foi muito providencial...
Beijos
Tu comeu um pote inteiro de chimia??
ResponderExcluirEm breve te mando um email com um parágrafo sobre as novidades aqui de floripa (não são muitas, mas enfim).
Saudades já. Te cuida Zorro, e te controla também, não assusta as pessoas tá?
Beijos!
Só uma coisa que eu não entendi direito...tu comeu os restos da comida das pessoas que tu conheceu no avião???
ResponderExcluir"Pra completar, bagunça e mais de 2 horas de fila no check-in da Iberia: o avião deles tinha parado pra reparos nas ilhas canárias e, em vez de sair de SP às 15:50, sairia 'só' 6 horas depois."
ResponderExcluirHaahuahuahuahha!! Minha amiga estava nesse vôo; ela saiu de Madrid dia 16, mas deu um problema na asa da aeronave e, de repente, quando ela acorda, eles estão pousando na ilha...
Sério, efeito borboleta mesmo!
Aproveita aí!
Cara, tinha escrito mais coisas, mas mudei de janela para aumentar uma das tuas fotos e quando voltei desapareceu tudo o que tinha escrito... =/
ResponderExcluirMas voilà o mais importante:
JUMBO! Te invejo!!!!
Na cabine do jumbo: PQP, te inveeejoo afuuuuuuuuuuu!!! O somatório de todas as vezes que já consegui voar na cabine seria voar um pouco na do 747.
Sobre o que falou o piloto: FANTÁSTICO. É a prova cabal do que eu li uma vez e, inclusive, coloquei numa postagem no meu blog: "Este [Airbus A330] é um avião que foi concebido por engenheiros, para engenheiros, e nem sempre para pilotos. [...] Por exemplo, num 747, o acelerador é empurrado manualmente. Você sente ele se mexer na turbulência. Nos Airbus recentes, o acelerador é fixo. Você olha nos indicadores. Não sente nada". Observo que não sei o que o piloto quis dizer com "o acelerador é fixo". A postagem é essa: [http://marcolovatto.blogspot.com/2009/06/air-france-447-austral-2553.html].
Vi a tua residência (e do André Markus) do avião antes de ele pousar em Munique (meu voo foi por Munique). Também de Lufthansa, infelizmente não jumbo, mas o primeiro de 4 turbinas que viajo (um A340). A melhor companhia que já viajei na vida.
Sobre o transporte, deve ser quenem aqui: tu entra no metro sem mostrar nada, às vezes entram os controladores pra verificar o pessoal ao acaso. Em um mês me verificaram 1 vez.
Bicicleta? Não aconselharia. Logo vem o inverno, e ele é frio pra caralho e demoraaaaaaadooo... =)
Já eras... aproveitemos afu!
Marco